
Lano Andrado
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Amor, Estranho Amor: A Simpatia por Ladrões


Em diferentes momentos da história e em diversas sociedades, um fenômeno curioso — e preocupante — insiste em se repetir: a simpatia de parte da população por figuras envolvidas em crimes, como ladrões ou políticos corruptos. Seja nas redes sociais, em rodas de conversa ou até em manifestações públicas, não é raro encontrar quem relativize, justifique ou até admire comportamentos que, em tese, prejudicam a coletivida.
Especialistas apontam que esse tipo de postura pode ter múltiplas origens. Uma delas é a descrença nas instituições. Quando parcelas da sociedade passam a enxergar o sistema político e judicial como ineficaz ou injusto, surge uma tendência de minimizar os atos ilícitos — especialmente quando praticados por figuras vistas como “próximas” ou “representativas” de determinados grupos.
Outro fator relevante é o chamado “viés de identificação”. Pessoas tendem a defender ou passar pano para indivíduos com quem compartilham valores, origem social ou posicionamentos ideológicos. Nesse contexto, o crime deixa de ser analisado objetivamente e passa a ser interpretado sob uma lente emocional ou tribal. O corrupto “do meu lado” muitas vezes é visto como vítima de perseguição, enquanto o adversário é automaticamente condenado.
Há também o papel da cultura e da narrativa. Filmes, músicas e até noticiários frequentemente romantizam figuras fora da lei, transformando criminosos em personagens carismáticos ou anti-heróis. Embora esse recurso tenha valor artístico, ele pode influenciar a percepção pública, especialmente quando não há um contraponto claro sobre as consequências reais desses atos.
No campo político, a situação se agrava. Casos de corrupção, que deveriam gerar indignação generalizada, acabam sendo tratados com seletividade. Pesquisas de opinião já indicaram que parte do eleitorado está disposta a ignorar denúncias, desde que o político em questão entregue benefícios ou represente suas crenças. Essa lógica utilitarista enfraquece princípios básicos da democracia, como a ética e a responsabilidade pública.
Para estudiosos do comportamento social, o problema não está apenas nos indivíduos que cometem crimes, mas também na tolerância coletiva que permite sua permanência em espaços de poder ou prestígio. “Quando a sociedade normaliza o erro, ela reduz o custo moral de praticá-lo”, afirmam analistas.
Combater esse tipo de distorção passa, inevitavelmente, pela educação e pelo fortalecimento institucional. Incentivar o pensamento crítico, valorizar a ética e garantir transparência nos processos públicos são passos fundamentais para reduzir a condescendência com práticas ilegais.
No fim das contas, a simpatia por ladrões e corruptos não é apenas um reflexo de falhas individuais, mas um sintoma de desequilíbrios mais profundos na relação entre sociedade, justiça e política. E enquanto esse fenômeno persistir, os prejuízos tendem a ser coletivos — ainda que, por vezes, passem despercebidos no calor das paixões.
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